"Imagens da ficção" teve apoio cultural do Sintrajufe-RS, Câmera Viajante, editora Record e livraria Palavraria.
16/05/2012
Premiados do Imagens da ficção
Carlos Macedo, Willian Ansolin e Thiago Couto são os vencedores do concurso fotográfico "Imagens da ficção", realizado no dia 21 de abril. Dia 07 de maio, na sala Luis Cosme, da Casa de Cultura Mario Quintana, eles receberam os prêmios de R$400,00, um curso de fotografia digital na escola Câmera Viajante e cinco títulos da obra de João Gilberto Noll.
"Imagens da ficção" teve apoio cultural do Sintrajufe-RS, Câmera Viajante, editora Record e livraria Palavraria.
"Imagens da ficção" teve apoio cultural do Sintrajufe-RS, Câmera Viajante, editora Record e livraria Palavraria.
05/05/2012
Imagens da ficção
Carlos Macedo, Thiago Couto e Willian Ansolin são os três vencedores do concurso fotográfico "Imagens da ficção" realizado no dia 21 de abril. Na segunda-feira, às 18h30, na sala Luis Cosme, da Casa de Cultura Mario Quintana, serão entregues os prêmios aos três fotógrafos, momento em que se revelará a classificação das fotos premiadas. "Imagens da ficção" teve apoio cultural do Sintrajufe-RS, Câmera viajante, editora Record e livraria Palavraria.
Carlos Macedo
Thiago Couto
Willian Ansolin
Trechos de livros de João Gilberto Noll, nos quais os fotógrafos se inspiraram para realizar as fotos:
"Fui subindo a rampa em caracol de acesso à passarela. Lá em cina, olhei à direita e vi o rio, no fundo
da ilha. Depois, olhei à esquerda e vi uma das torres da igreja da Conceição."
"Saí do cinema quase tardinha, e fui devagar, tão devagar que me vi de repente parando na travessa
Acelino de Carvalho, uma ruela fria que nunca banha o sol de tão estreita, só para pedestres, com um
constante cheiro de mijo, algumas barbearias de um lado, do outro três, quatro portas de saída da rua
lateral do cinema Vitória."
"Peguei uma avenida que levava ao centro. Li a placa de ferro pregada na parede: Avenida Júlio de Castilhos. Essa avenida está igual, pensei. Havia um profundo silêncio. Eu não via pedestres nem carros. Aproveitei a primeira rua lateral para mijar. Numa ponta da rua via-se o porto, na outra, casas de pequeno comércio, todas fechadas, com exceção de uma com seus vestidos de verão esvoaçando brandamente pendurados na marquise."
Saideira
O auditório Luís Cosme da Casa de Cultura Mario Quintana recebe na próxima segunda-feira, a partir das 18h30min, a saideira da 5ª FestiPoa Literária. O evento, com entrada franca, será o encerramento da programação da FestiPoa, que reuniu mais de 2.500 pessoas durante onze dias de atividades, que teve leituras, lançamentos, oficinas, exposições, debates, shows, espetáculos, filmes, recitais e performances, com a participação de mais de 60 escritores e artistas convidados.
Na abertura, ocorre a premiação dos vencedores do concurso fotográfico "Imagens da Ficção", inspirado em trechos de obras do escritor João Gilberto Noll. O ganhador receberá R$ 400,00 de prêmio; o 2º colocado, um curso de fotografia digital na escola Câmera Viajante e o 3º lugar, cinco livros de Noll, publicados pela editora Record.
Uma mesa-redonda sobre humor e crônica é tônica da conversa entre os escritores Luis Fernando Verissimo e Mario Prata, às 20h30min, com a mediação da jornalista Cláudia Laitano. O escritor, jornalista, humorista e cronista gaúcho, criador dos inesquecíveis Analista de Bagé e Velhinha de Taubaté debate com Mario Prata, mineiro de nascimento, criado em São Paulo e há dez anos radicado em Florianópolis. Prata escreve para teatro, televisão, jornais e revistas. Com livros publicados e peças montadas em diversos países, já ganhou vários prêmios no Brasil e exterior. Atualmente, dedica-se a escrita de romance policial.
30/04/2012
Paulo Scott escreve sobre a FestiPoa
Texto publicado na edição de 23 de abril do jornal Zero hora.
Levando em conta o olhar e a curiosidade de quem observa as inquietações culturais gaúchas a partir de Santa Catarina recuando, sem desviar o foco, pelo Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e assim, em curva, até o Acre, há bem pouco tempo a pergunta era: o que há de novo no cenário dos eventos literários do Rio Grande do Sul?
Isso porque segue forte o interesse dos leitores dos demais Estados por esse extremo brasileiro que, para além de Dyonélio, Erico, Moacyr, Caio Fernando, Mario e também dos autores consagrados ainda em atividade, vem oferecendo ao país o maior volume de novos autores relevantes (hoje eventual lista abarcando prosa e poe¬sia contemplaria, com segurança, mais de 50 nomes de repercussão nacional)?
A novidade, em resposta à pergunta, veio, em meio a outras estreias, com a Festa Literária de Porto Alegre, invenção da cabeça de leitor apaixonado e muito atento ao contemporâneo nacional do jornalista Fernando Ramos. Admitido esse contexto e seu desejado amadurecimento, surge outra indagação pertinente: o que há de novo na FestiPoa e neste rótulo de quinta edição?
Talvez pelos autores e artistas que recusam tantos convites, mas se dispõem a participar dessa festa literária ao entender sua proposta nada conveniada aos encastelamentos literários, aos coronelismos que só admitem a promoção dos asseclas, aos apadrinhamentos que acabam guindando a posições políticas estratégicas pessoas incapazes de dialogar com o novo e olhar para além do próprio umbigo, ou talvez pela alegria que só existe no verdadeiro desprendimento; não há como saber ao certo. O que se pode afirmar é que nesta edição foi possível perceber o aumento significativo de escritores e editoras de outras partes do Brasil interessados em interagir com esse encontro que, em sua informalidade, não dispensa o ótimo conteúdo dos debates e a verticalização das opiniões.
Aqui se chegou e não é justo negar que a FestiPoa tem muito a repercutir e a ensinar com essa sua atualidade, com essa sua dinâmica de leveza e destemor diante da descentralização inevitável das curadorias, das eleições, das consuetudinárias puramente mercantis e resistências canônicas. O grupo de pessoas que se constituiu em torno da iniciativa de Fernando Ramos conserva de maneira notável o entusiasmo e a irreverência da primeira edição.
Nesses dias de semana inicial estive próximo das observações pontuais e espirituosas de Beatriz Resende, César Aira, Italo Moriconi e Joca Reiners Terron, todos na condição de convidados pela primeira vez, e posso assegurar seu contentamento com o que viram. Superam-se os protocolos e se monta uma festa que parece não dar atenção ao tal onde exatamente quer chegar. Reclama-se tanto da ingenuidade enquanto valor das soluções criativas, e, no entanto, ressurge nessa proposta de celebração do conteúdo literário, como ressurge em tantos outros acontecimentos aparentemente corriqueiros pelo país, a chance de revisão e oxigenação dos diálogos. A festa vem ganhando tamanho e cobiças, só espero que não perca o seu despojamento nem sirva à criação e ao enraizamento de novos coronéis, de novos caciques.
28/04/2012
Programação de encerramento
Casa de Cultura Mario Quintana/Auditório Luis Cosme (4º andar)
10h30 – A consciência da crítica literária brasileira
MIGUEL SANCHES NETO e JOÃO CEZAR DE CASTRO ROCHA.
Mediação: CARLOS ANDRÉ MOREIRA
Lançamento: Exercícios críticos (João Cezar de Castro Rocha)
Lançamento: Exercícios críticos (João Cezar de Castro Rocha)
Casa de Cultura Mario Quintana/Mezanino
15h - Drummond: três retratos, um poeta
LÍVIA LOPES BARBOSA.
15h50 - MAY PASQUETTI: leitura de poemas de Drummond
15h50 - MAY PASQUETTI: leitura de poemas de Drummond
16h – Lançamento: A voz do ventríloquo (Ademir Assunção)
18h - Livro ao vivo
Leitura de poesia: ANDRÉIA LAIMER, DIEGO PETRARCA, LORENZO RIBAS e RODOLFO RIBAS
18h24 - Leitura A melhor maneira de dizer tudo em 6 minutos: EVERTON BEHENCK
18h30 – Desde que o samba é samba
PAULO LINS e FABIANA COZZA conversam sobre samba e poesia.
Mediação: MARCELINO FREIRE
20h30 - LUNA VITROLIRA - Performance "Ontolombrologia sertaneja: ode aos vates"
21h – Show de CAIO MARTINEZ e TRIO
21h – Show de CAIO MARTINEZ e TRIO
22h - Festa de encerramento. Discotecagem: ISMAEL CANEPPELE
27/04/2012
Programação desta sexta-feira
A 5ª edição da FestiPoa encaminha-se para os seus dois últimos dias de programação.
Hoje, na Casa de Cultura Mario Quintana/Auditório Luis Cosme (4º andar), a partir das 18h30, temos programado:
18h30 – Operário do precário
ANTONIO CARLOS SECCHIN e RICARDO SILVESTRIN conversam sobre produção poética e leitura de poesia.
20h30 – Homenagem ao centenário de publicação de “Eu” (Augusto dos Anjos)
JAIME MEDEIROS JR, PAULO SEBEN, SIDNEI SCHNEIDER e ANA TETTAMANZY.
22h – Eletropoeteria - performance poética-musical: LUCAS REIS GONÇALVES e DADO VARGAS
26/04/2012
5 perguntas para Ademir Assunção
Poeta, compositor e jornalista, Ademir vem pela segunda vez à FestiPoa Literária para lançar novo livro de poesia, "A voz do ventríloco" (Edith). Sábado, às 16h, no mezanino da Casa de Cultura Mario Quintana, Assunção lerá alguns poemas e autografará essa nova publicação.
Como é
tua relação com Porto Alegre? Que artistas você lê, ouve?
Tenho uma ligação intelectual e
afetiva com Porto Alegre. Minha ex-mulher e meus filhos moram aqui. Uma parte
significativa da minha vida pulsa na cidade. Tenho grandes amigos por aqui.
Artisticamente, há muito tempo estou ligado a poetas e músicos gaúchos, que
nasceram ou viveram em Porto Alegre. Sou leitor de Mário Quintana, ouço Nei
Lisboa, adoro as tiras de Edgar Vasques. Há muitos outros artistas vigorosos
que conheço e, tenho certeza, muitos outros, mais novos, que ainda
desconheço.
Você vai
participar da mesa “Vozes da canção e da poesia”, com o Nei Lisboa. Qual a
expectativa? Como é a tua relação com a música e a literatura do Nei?
Conhecia canções esparsas do Nei
Lisboa, mas desde que ouvi “Hein?”, apresentado a mim pelo Mário Bortolotto,
passei a ouvir os discos dele com muita atenção e curiosidade. Gosto muito da
poética de suas canções, bastante refinada, irônica, indignada, lírica. Gosto
especialmente de “Cena Beatnik”, “Carecas da Jamaica” e “Hein?”. Nesses discos
há canções antológicas como “Rio By Night”, “Baladas”, “Telhados de Paris” ,
“Zarpar pro Futuro”, “Produção Urgente”, “Por Aí”. A obra dele poderia ser mais
conhecida no Brasil todo. Vai ser, com certeza, quando as emissoras de rádio e
televisão forem menos mercadológicas e superficiais. Minha expectativa sobre a
mesa “Vozes da canção e da poesia” é que seja um bate-papo enriquecedor para
nós e para o público.
"A
voz do ventríloquo", que você lançará no sábado, às 16h, na Casa de
Cultura Mario Quintana, é um livro indignado, furioso, cuspidor de sangue, que
faz o leitor ouvir vozes que vem do escuro. Você pode falar um pouco sobre esse
"ventríloquo"?É verdade, há poemas que são
fruto da minha indignação com a violência da sociedade contemporânea, expressa
tanto nas guerras explícitas, quanto na especulação financeira e na lógica
exacerbada do consumo, que afastam as pessoas de uma vida mais densa e cultiva
a ignorância coletiva como forma de lucros estratosféricos. Mas há momentos
também de muito lirismo e de melancolia no livro. No fundo, a arte em geral
continua expressando as mesmas inquietações que são comuns aos humanos, seja os
do século XXI ou do século I: a finitude da vida, a solidão, os vôos
intelectuais, a espessura emocional. Mudam os tempos, as condições de vida, os
contextos, os conhecimentos, mas essas perguntas permanecem. Quanto mais
avançamos vida a dentro, mais vamos nos deparando com esses enigmas. E, na
maioria das vezes, vamos percebendo que não há respostas. Há só caminhos, há
lampejos de compreensão, há momentos luminosos e há momentos de escuridão. Há
também o prazer de transformar em linguagem esses vôos às alturas e essas
descidas aos infernos. Ou aos inferninhos.
Você,
além de poeta e jornalista, é compositor. Leva sua poesia para o palco e a faz
dançar com o rock and roll. E muitos dos seus poemas estão "pedindo"
para virarem canção. Como seu trabalho com a palavra escrita extravasa e ganha
forma no palco e em outras mídias?
A poesia oral, falada ou cantada,
sempre esteve presente em minha vida. Antes de ser alfabetizado, eu ouvia, e
adorava, histórias que meus pais, avós e tias contavam. Não eram poemas,
propriamente, mas eram narrativas, histórias que vinham de muito longe, hoje eu
sei. Ainda durante a infância e depois, na adolescência, ouvia muita música.
Não venho de uma família letrada. Não havia biblioteca na minha casa. Mas o
rádio estava sempre ligado. Eu ouvia de Lupicínio Rodrigues a Bob Dylan no
rádio. Quando entrei em contato com a poesia escrita, fixada no papel, prestava
muita atenção no ritmo dos versos, na sonoridade interna das palavras. Ezra
Pound e os poetas concretos me ajudaram a prestar ainda mais atenção nessa
engenhosidade dos poemas, nas rimas internas, nos ecos de uma palavra para
outra, no deslizamento sonoro dentro de um poema. Tudo isso fez com que eu
trabalhasse bastante a melopéia (as tramas sonoras) em minha própria poesia.
Costumo dizer que escrevo com os ouvidos. Então, os poemas pedem para ser lidos
em voz alta, entoados, e até cantados, em muitos casos. Entendo a poesia como
um organismo vivo. Um ser de linguagem. E tudo que está vivo está em permanente
mutação.
Já que estamos falando sobre uma festa literária, qual é o artista que
te faz dançar?
Gosto quando a vida me convida a
dançar. Quando ela não me convida, eu procuro tomar a iniciativa.
A licença poética do riso
* João Pedro Wapler
O humor é um gênero
complicado. Soar engraçado, irônico ou sarcástico exige do autor um dom e uma
técnica sutilmente apurada. Fazer o outro rir é uma das artes mais difíceis
para um artista. No caso da literatura, o humor torna-se ainda mais delicado de
se lidar, pois temos apenas a palavra como plataforma de criação. Especificamente a prosa possibilita ao autor
criar frases, parágrafos e capítulos, desenvolvendo seu raciocínio criativo de
uma maneira que, aparentemente, alguma pitada humorística tenha menos chance de
dar errada. Já na poesia, dispomos de versos e estrofes, normalmente curtos,
assim é imperativo para o autor uma maior sagacidade: não temos tantas linhas assim
para remeter ao riso.
Dentro dessa vertente da seara literária, a FestiPoa gerou
um encontro atraente no último sábado. No evento intitulado Poesia: humor: liberdade: linguagem, o
poeta Diego Petrarca mediou um bate papo na Casa de Teatro de Porto Alegre
entre os também poetas Diego Grando e Gabriel Pardal. A conversa girou em torno
da arte de se fazer versos com liberdade, inteligência e humor, três
ingredientes de difícil conjugação quando tratamos de literatura versificada.
Grando é gaúcho e recentemente lançou seu segundo livros
de poemas, Sétima do Singular. Pardal
é baiano e também lançou há pouco o título de poesia Carnavália. Os dois poetas, cada um à sua maneira, sabe lidar muito
bem com o riso em suas criações. O primeiro de maneira mais implícita, através
de uma fina ironia, já o segundo, despudoramente, através de uma linguagem explicitamente
cômica.
Em Sétima do
Singular, vemos um apuro técnico que remete a um dos ídolos do autor:
Apollinaire. Os poemas são estruturalmente muito bem delineados. Grando também
busca em outro mestre, Carlos Drummond de Andrade, uma bagagem discursiva invejável,
incrementando sua técnica com um texto imageticamente belo.
Carnavália
segue um caminho diametralmente oposto, apostando na desconstrução estrutural e
num discurso mais direto e entrecortado, onde encontramos ares de Paulo
Leminski e de alguns autores da canção popular brasileira, por exemplo.
Na conversa descontraída guiada com esperteza por
Petrarca, notamos o tom do texto de cada poeta em suas próprias falas. Pardal abria
pouco a boca e quando dizia algo arrancava risos da plateia. Diego usou bastante
o microfone, desenvolvendo raciocínios irônicos que também prenderam a atenção
de quem compareceu ao local. Duas espécies de humor diferentes: o primeiro mais
elíptico e o segundo mais argumentativo.
O legal de tudo isso é ver que a literatura não deve ser
levada tão a sério, mas com mais leveza, para não ficar, enfim, chata.
Literatura não precisa começar com letra maiúscula para ser respeitada. Ele, antes
de uma disciplina escolar, deve fazer parte da língua do povo. Os dois poetas
de dois lugares completamente distintos do país, provaram que uma pitada de
humor à moda de cada um, só aproxima mais as pessoas do universo das letras e
dos versos.
* Poeta, ator e jornalista.
Música e poesia
Programação de hoje:
Sala II do Salão de Atos da UFRGS (Campus Central)
19h – Núcleo da Canção
LUIZ TATIT e LUIS AUGUSTO FISCHER
21h – As vozes da poesia e da canção
ADEMIR ASSUNÇÃO entrevista NEI LISBOA
Livros na rua
O projeto Livros na rua consiste numa ação que vai distribuir 400 exemplares de livros de literatura - clássicos e contemporâneos - em diversos locais da cidade: paradas de ônibus, estações do Trensurb, praças, parques e bibliotecas comunitárias.
A distribuição será acompanhada de intervenções de escritores e artistas convidados pela FestiPoa – em rodas de leitura, pocket shows, performances nesses espaços públicos. Serão três intervenções até o final desta semana. A intenção é democratizar o acesso à literatura e divulgar a produção literária contemporânea. Os leitores poderão, após lido o livro, deixá-lo na rua, se quiserem, fazendo com que os livros circulem, encontrem outros leitores e fiquem o maior tempo possível “na rua” mesmo, ao alcance de mais leitores.
O leitor que receber um livro nas ações, ou encontrá-lo em algum local público, que tenha o selo identificador (imagem acima) Livros na rua, colado na primeira página do livro, terá direito a receber um exemplar da coletânea O melhor da festa nos locais onde acontecem as atividades da FestiPoa (confira na programação do evento).
Nesta quarta-feira, às 16h, em frente à Biblioteca Livros sobre Trilhos, na estação Mercado do Trensurb, o artista de rua Diego Deodato apresentou o número "A Gota D`água", no qual o fio condutor que leva a história é um livro, que não tem páginas mas desenhos, e interpretação de palhaço a partir de uma poesia do próprio artista. Com a apresentação foram distribuídos cerca de cinquenta livros aos usuários da estação do Trensurb.
A distribuição será acompanhada de intervenções de escritores e artistas convidados pela FestiPoa – em rodas de leitura, pocket shows, performances nesses espaços públicos. Serão três intervenções até o final desta semana. A intenção é democratizar o acesso à literatura e divulgar a produção literária contemporânea. Os leitores poderão, após lido o livro, deixá-lo na rua, se quiserem, fazendo com que os livros circulem, encontrem outros leitores e fiquem o maior tempo possível “na rua” mesmo, ao alcance de mais leitores.
O leitor que receber um livro nas ações, ou encontrá-lo em algum local público, que tenha o selo identificador (imagem acima) Livros na rua, colado na primeira página do livro, terá direito a receber um exemplar da coletânea O melhor da festa nos locais onde acontecem as atividades da FestiPoa (confira na programação do evento).
Nesta quarta-feira, às 16h, em frente à Biblioteca Livros sobre Trilhos, na estação Mercado do Trensurb, o artista de rua Diego Deodato apresentou o número "A Gota D`água", no qual o fio condutor que leva a história é um livro, que não tem páginas mas desenhos, e interpretação de palhaço a partir de uma poesia do próprio artista. Com a apresentação foram distribuídos cerca de cinquenta livros aos usuários da estação do Trensurb.
Essa ação teve apoio da Biblioteca Livros sobre Trilhos.
Biblioteca Livros sobre Trilhos é uma parceria da Trensurb com o Instituto Brasil Leitor, conta com um acervo de mais de 3,4 mil livros e funciona de segunda a sexta-feira, das 11h às 20h, na plataforma de embarque da Estação Mercado do metrô.
25/04/2012
Programação de hoje
Ocidente
18h30 – Memória e literatura
IVAN IZQUIERDO e ARMINDO TREVISAN. Mediação: ALTAIR MARTINS
20h – Ulysses, de James Joyce
CAETANO GALINDO e AGUINALDO SEVERINO
21h30 - Pré-Bloomsday: leituras de trechos de Ulysses
22h – Show RONALD AUGUSTO TRIO
22h – Show RONALD AUGUSTO TRIO
24/04/2012
Quem roubou meu anabela? no Goethe Institut
Hoje, às 20h, no auditório do Goethe Institut, Ivo Bender recebe outra homenagem, desta vez no palco, com a leitura dramática de seu texto QUEM ROUBOU MEU ANABELA?. Após a leitura, haverá debate sobre a dramaturgia e a ficção do homenageado com a participação da professora LÉA MASINA e do ator e dramaturgo MARCELO ADAMS.
QUEM ROUBOU MEU ANABELA?
Direção: MARCELO ADAMS
Elenco: GISELA HABEYCHE, MARGARIDA LEONI PEIXOTO, MARCELO ADAMS e PEDRO ANTUNES
Iluminação: SHIRLEY ROSÁRIO
Comédia com ingredientes fantásticos, escrita por Ivo Bender em 1972, em que as primas Valéria e Genciana vivem uma relação conturbada, repleta de inveja e humilhação. Valéria é casada com Umberto, mas é seguidamente infiel a ele. Genciana é satanista, e vive invocando os demônios Astaroth e Asmodeu. A chegada do jovem Jasmim transforma definitivamente a vida de todos, abrindo espaço para a sedução e o crime.
23/04/2012
Noite dos quadrinhos na FestiPoa
Hoje, a partir das 18h30, os fãs de quadrinhos e ilustrações de Porto Alegre estão convocados para evento imperdível: mesa composta pelos desenhista Rafael Coutinho (co-autor de Cachalote), Rafael Sica (autor de Ordinário) e Santiago (premiado cartunista que atua em diversas publicações regularmente) para discutir HQs e cartuns. O evento acontece no mezanino da Casa de Cultura Mario Quintana, e tem mediação de Moah.
Na mesma noite, haverá também lançamento do livro e abertura da exposição Gazzara. Saiba mais detalhes aqui.
Confira programação completa da noite:
DIA 23/04 – 2ª feira
Casa de Cultura Mario Quintana/Mezanino
17 às 22h – Noite do livro e da literatura
O tempo e o vento: leituras do livro
pelo público e gravação de vídeos das leituras, celebrando 50 anos de
publicação do romance.
Casa de Cultura Mario Quintana/Mezanino
18h30 – Gazzara
RAFAEL COUTINHO, RAFAEL SICA e SANTIAGO debatem a produção de HQs e cartuns. Mediação: MOAH
Lançamento do livro e da exposição Gazzara
Casa de Cultura Mario Quintana/Teatro Carlos Carvalho
20h – Leitura dramática da peça O tempo
sem ponteiros (Diones Camargo). Direção: Diones Camargo. Elenco: Elisa
Brites, Clemente Viscaino, Fabrizio Gorziza, Renata Stein e Francine
Kliemann
CCMario Quintana/Mezanino
21h - Tanka!? - leitura e projeção de textos: BANDO HOBURACO
21h24 - Leitura A melhor maneira de dizer tudo em 6 minutos: ROSANE PEREIRA
21h30 - Performance Ontolombrologia sertaneja: ode aos vates: GABRIELLE VITÓRIA
O tempo sem ponteiros: leitura dramática na FestiPoa
É HOJE na FestiPoa: leitura dramática da peça O tempo
sem ponteiros, de Diones Camargo! Diones Camargo já participou como debatedor na noite de abertura desta edição da festa literária, ao lado de Ivo Bender e Regina Zilberman. Agora é a oportunidade de conferir o trabalho autoral do dramaturgo. A função toda começa às 20h, no Teatro Carlos Carvalho (Casa de Cultura Mário Quintana). Confira a ficha técnica e sinta-se nosso convidado: a entrada é franca.
O Tempo Sem Ponteiros
Texto: Diones Camargo
Com: Elisa Brites, Clemente Viscaino, Fabrizio Gorziza, Renata Stein e Francine Kliemann;
Trilha Sonora Original: Martin Dahlström-Heuser
Direção: Diones Camargo
Duração: 40 min. aproxim.
Sinopse:
a peça, livremente adaptada de um conto sem diálogos escrito pelo
argentino Jorge Luis Borges, nos acompanha a trajetória de Emma Zunz,
uma garota tímida e reprimida, que parte em busca de vingança após a
morte do pai. Alternando tempos narrativos distintos, esta versão para
teatro opta por ressaltar aspectos psicológicos da protagonista,
evidenciando símbolos sutis propostos por Borges em seu texto, ao mesmo
tempo em que os mescla a elementos psicanalíticos tais como desejo,
obsessão, loucura e mal-estar.
Segunda-feira, 23 de abril, às 20h na Casa de Cultura Mario Quintana/Teatro Carlos Carvalho .
22/04/2012
O melhor de César Aira
Com dezenas de livros lançados e traduzidos ao redor do
mundo, o argentino César Aira tratou de desfazer a imagem de escritor prolífico e abalar qualquer outra certeza que se pudesse ter a respeito de sua obra em entrevista ao escritor Joca Reiners Terron. O encontro aconteceu na Casa de Cultura Mario Quintana, com o auditório lotado e atento. Confira abaixo os melhores trechos dessa conversa:
Influência brasileira
Traduzi Sérgio Sant’Ana, e acontece dos tradutores se
aprofundarem nos livros e vê-los em tudo que têm de espetacular. Por isso,
gostaria de seguir traduzindo O vôo da
madrugada. Há um fundo dramático especial na literatura do Sérgio, um
espanto, um horror, um peso em seguir vivendo. Sobretudo O vôo da madrugada tem isso, inclusive porque foi escrito em meio a
uma crise pessoal.
Para mim, a literatura brasileira é a mais rica do
continente sul-americano. Foi até mesmo um problema para mim quando li
Guimarães Rosa: era um escritor tão monumental, tão grande, que me deixou
desolada, que não valeria tentar escrever, juma vez que jamais seria capaz de
fazer algo como Guimarães.
Dalton Trevisan também segue sendo um dos meus favoritos. Mas
João Gilberto Noll, passou por mim e foi tão aterrador como Guimarães Rosa.
Pensei: eu deveria ter escrito aquilo. Não sei como me exorcizar essa sensação
agora, sobretudo a sensação que veio a partir de A fúria do corpo – espero que algum tradutor argentino consiga
fazer justiça a esse trabalho.
Escrever = desenhar
Tudo que escrevo tem um componente visual muito grande,
intuitivamente busco que o leitor veja o que vejo na minha imaginação. Por isso
uso a linguagem mais neutra possível.
Escrevo muito pouco e muito lentamente – um parágrafo ou
dois, no máximo meia página por dia. Mas como os dias são muitos e os meus livros
são curtos, não há problema. Comigo me parece mais como um desenho, tenho papéis
chineses bons, canetas... São imagens que vou descrevendo. Para mim, me parece
mais com o ato de desenhar do que
escrever.
Exige um método? Não sei. Eu muitas vezes, quando estou
escrevendo, improvisando, me dou conta de que cometo erros, me meto em becos
sem saída, mas sempre tenho a confiança de que no fim tudo vai dar certo por fé
na literatura. A literatura é quase como uma deusa que protege os escritores.
Qualquer um pode escrever muito. Literatura é uma questão de
qualidade e não de quantidade. Sou ruim com os editores, que querem que
acompanhem a confecção do livro. Quando entrego o livro a eles, digo que façam
o que quiserem com a capa, com a tipografia...
Nunca tive muita confiança em mim mesmo. Sempre que termino alguma coisa,
penso: que desastre eu fiz! E gosto muito das editoras pequenas, me dá vergonha
de mandar a editores grandes. Na Argentina tudo é grátis, você praticamente dá
os livros aos editores, mas aí vem os editores alemães e me compram. Então fico
com o melhor dos dois mundos: a boemia do autor jovem, e o reconhecimento
exterior que rende dinheiro.
No discurso público, nunca se fala como literatura como uma
atividade artística, parece sempre visto como um nobre veículo de idéias e
ideologias. Só quando encontro autores de verdade é que me volta essa sensação
de atividade artística. O romance não é um veículo para valores, é injusto com
a literatura que a usem como um mero veículo de prestígio para ideologia,
porque esse prestígio vem de autores que não estavam preocupados com isso, como
Kafka ou Borges.
Agora tem essa onda de fazer romances dedicados aos dramas
que aconteceram durante a ditadura militar. É um modo de ganhar dinheiro que me
parece obsceno, pois é fazer dinheiro com quem sofreu tanto.
Aprender a escrever
Por que escrever? Não há resposta diferente de “porque quis”,
“porque sim”, “porque não gosto de trabalhar”. Há tantos modos engenhosos de
responder, mas são todos mentirosos.
Como escrever? Escrever bem, é a única resposta. Por que algumas
pessoas ruins têm talento e escrevem bem, e outras honestas não? Acho isso um
pouco injusto. Oficinas literárias podem ensinar a escrever bem, mas não a
escrever. Escrever é uma decisão vital. Escrever, no sentido forte, é outra
coisa que não há oficina que consiga ensinar.
O que escrever? Também há uma armadilha aí: não se pode buscar
o que não podemos fazer, o que não nascemos para fazer. Lembro de um amigo meu
que tinha nascido como poeta, tinha todas as características de poeta, como se
pegar à palavra com tanto amor que muitas vezes não consegue pensar de um modo
mais raciona, mas ele tentou ser crítico literário. Acabou não sendo nada.
Virou publicitário. É preciso tomar cuidado consigo mesmo, somos nossos maiores
inimigos na hora de escrever.
Fotos: Ana Mendes
Fotos: Ana Mendes
Cinco perguntas para Carol Bensimon
Dessa vez nossas cinco perguntas são respondidas pela escritora Carol Bensimon! Com dois livros lançados – Pó de parede (Não Editora, 2008) e Sinuca embaixo d'água (Companhia das Letras, 2009) – e vararias participações em antologias e na imprensa, Carol vem conquistando público e crítica com sua prosa.
A escritora estará participando HOJE da mesa “Literatura se faz na universidade?”, ao lado de Luís Roberto Amabile e Augusto Paim, às 18h30m, na livraria Palavraria (dentro da programação da FestiPoa Literária). Na entrevista, a autora fala um pouco de sua nova criação literária, do evento de hoje y otras cositas más... Confira:
1. Como anda teu trabalho de criação? Vem algum livro novo por aí?
Estou escrevendo um novo romance, colocando todo o meu tempo nisso. Ao que tudo indica, será publicado no ano que vem.
2. Você vai participar da mesa “Literatura se faz na universidade?”.Em que medida a academia inspira tua literatura?
Não sou uma pessoa que costuma ler obras acadêmicas. Na verdade, larguei um doutorado no meio devido a minha incapacidade de sentir algum tipo de prazer com textos acadêmicos. Mas, sim, eu estive dentro da academia. Fiz um mestrado em Escrita Criativa na PUCRS. Foi uma boa experiência. A "dissertação" era uma obra literária acompanhada de um ensaio teórico. Foi interessante fazer o ensaio, mas acho que eu não iria além disso. Quero dizer, escrever uma tese de 300 páginas.Prefiro aplicar essa energia na ficção.
3. Em que medida Porto Alegre inspira tua literatura?
Na medida em que eu passei quase toda a minha vida aqui, então é inevitável ter memórias afetivas com certos lugares e situações, e passar parte disso para os livros. Mas a cidade não vai aparecer muito no meu próximo livro. A maior parte dele se passa durante uma viagem ao interior do Estado.
4. Há algum tempo atrás, eventos literários eram praticamente osúnicos momentos em que um escritor encontrava seus leitores. Com apossibilidade da comunicação instantânea com estes através dainternet, o que ainda atrai escritores a participar de eventos como oFestiPoa?
Acho que é uma comunicação diferente. Pela internet, há essa troca com leitores, que é muito gratificante para quem escreve, mas é uma troca que gira em torno de nossos livros; o leitor escreve quando gosta, quer dizer que foi tocado, dar parabéns, às vezes perguntar uma ou outra coisa. Nos eventos literários, a ideia é pensar a literatura de modo mais amplo. Você não está na mesa pra falar dos seus livros (ou só deles), mas para dar uma opinião sobre outras coisas que tocam a literatura.
5. Já que a ocasião é de festa literária, como combinar dança e leitura?
Haha, sou a pessoa menos habilitada do mundo a responder isso. Tenho vergonha de dançar. Nunca faço isso na frente das pessoas.
A escritora estará participando HOJE da mesa “Literatura se faz na universidade?”, ao lado de Luís Roberto Amabile e Augusto Paim, às 18h30m, na livraria Palavraria (dentro da programação da FestiPoa Literária). Na entrevista, a autora fala um pouco de sua nova criação literária, do evento de hoje y otras cositas más... Confira:
Estou escrevendo um novo romance, colocando todo o meu tempo nisso. Ao que tudo indica, será publicado no ano que vem.
2. Você vai participar da mesa “Literatura se faz na universidade?”.Em que medida a academia inspira tua literatura?
Não sou uma pessoa que costuma ler obras acadêmicas. Na verdade, larguei um doutorado no meio devido a minha incapacidade de sentir algum tipo de prazer com textos acadêmicos. Mas, sim, eu estive dentro da academia. Fiz um mestrado em Escrita Criativa na PUCRS. Foi uma boa experiência. A "dissertação" era uma obra literária acompanhada de um ensaio teórico. Foi interessante fazer o ensaio, mas acho que eu não iria além disso. Quero dizer, escrever uma tese de 300 páginas.Prefiro aplicar essa energia na ficção.
3. Em que medida Porto Alegre inspira tua literatura?
Na medida em que eu passei quase toda a minha vida aqui, então é inevitável ter memórias afetivas com certos lugares e situações, e passar parte disso para os livros. Mas a cidade não vai aparecer muito no meu próximo livro. A maior parte dele se passa durante uma viagem ao interior do Estado.
4. Há algum tempo atrás, eventos literários eram praticamente osúnicos momentos em que um escritor encontrava seus leitores. Com apossibilidade da comunicação instantânea com estes através dainternet, o que ainda atrai escritores a participar de eventos como oFestiPoa?
Acho que é uma comunicação diferente. Pela internet, há essa troca com leitores, que é muito gratificante para quem escreve, mas é uma troca que gira em torno de nossos livros; o leitor escreve quando gosta, quer dizer que foi tocado, dar parabéns, às vezes perguntar uma ou outra coisa. Nos eventos literários, a ideia é pensar a literatura de modo mais amplo. Você não está na mesa pra falar dos seus livros (ou só deles), mas para dar uma opinião sobre outras coisas que tocam a literatura.
5. Já que a ocasião é de festa literária, como combinar dança e leitura?
Haha, sou a pessoa menos habilitada do mundo a responder isso. Tenho vergonha de dançar. Nunca faço isso na frente das pessoas.
21/04/2012
Cinco perguntas para Gabriel Pardal
O poeta baiano Gabriel Pardal lança hoje em Porto Alegre seu Carnavália, depois de participar da mesa "Poesia: humor: liberdade: linguagem" acompanhado dos poetas Diego Grando e Diego Petrarca na Casa de Teatro a partir das 17h (no final deste post, confira toda a programação de hoje). Conheça melhor Gabriel e seu trabalho através das nossas cinco perguntas:
1. Como é tua relação com Porto Alegre? Se não conhece a cidade, como são tuas expectativas?
Não conheço Porto Alegre. Minha relação com a cidade é, veja só, pela produção da sua literatura. Sobretudo pela existência do CardosOnline. Eu tinha uns 15 ou 16 anos quando assinei o zine e foi de grande motivação para a fertilização da minha vontade em ler e escrever. Estou muito feliz de finalmente conhecer a cidade e minha expectativa é poder comer o melhor churrasco feito no Brasil. Estejam avisados. Vamos ver.
2. Você vai participar da mesa “Poesia: humor: liberdade: linguagem”. Vamos adiantar uma pergunta: um velho mestre dizia que não é com a ira, mas com o riso que se mata. Você está interessado em matar alguém ou alguma coisa?
Mas que belíssimo o título dessa mesa, hein? Poesia: humor: liberdade: linguagem. Não precisa dizer mais nada. Poesia: humor: liberdade: linguagem. Olha como na verdade é um ciclo. O sentido nunca se fecha. Poesia: Humor: Liberdade: Linguagem: Poesia: Humor: Liberdade: Linguagem: Poesia: Humor: Liberdade: Linguagem: Poesia:...
3. Por que Carnavália?
A ideia do livro surgiu no último ano da faculdade. Me formei em Publicidade e na hora de escrever a monografia de conclusão percebi que eu só tinha opiniões desfavoráveis em relação ao universo da propaganda. Enquanto todos são instruídos a serem bons publicitários, criar comerciais e planos de marketing, exatamente o oposto estava acontecendo na minha cabeça. Esse livro é uma anti-monografia. É o exercício de elaborar reflexões poéticas à respeito da sociedade de consumo. Você quer que eu escreva tudo em cinco linhas, mas posso levar cinco anos para explicar tudo o que aconteceu. Ou talvez cinco palavras: ESPAÇO RESERVADO PARA OS ANUNCIANTES.
4. Como seu trabalho com a palavra escrita extravasa e ganha forma em outras mídias?
Para mim o mundo começa na palavra. O texto é a minha experiência favorita, justamente pelo que ela tem de precário e primário. É impressionante. Basta uma caneta e um papel. Duas ferramentas tão simples podem produzir a arte mais profunda do mundo. Em todos os trabalhos que desenvolvo, seja vídeo, música, artes visuais, a minha faísca é o trabalho com a palavra, a frase, o parágrafo, o ritmo, a potência da criação literária.
5. Já que estamos falando sobre uma festa literária, qual é o escritor que te faz dançar?
Marcelino Freire é um excelente sanfoneiro. Manda muito bem na balada.
Serviço da FestiPoa hoje:
1. Como é tua relação com Porto Alegre? Se não conhece a cidade, como são tuas expectativas?
Não conheço Porto Alegre. Minha relação com a cidade é, veja só, pela produção da sua literatura. Sobretudo pela existência do CardosOnline. Eu tinha uns 15 ou 16 anos quando assinei o zine e foi de grande motivação para a fertilização da minha vontade em ler e escrever. Estou muito feliz de finalmente conhecer a cidade e minha expectativa é poder comer o melhor churrasco feito no Brasil. Estejam avisados. Vamos ver.
2. Você vai participar da mesa “Poesia: humor: liberdade: linguagem”. Vamos adiantar uma pergunta: um velho mestre dizia que não é com a ira, mas com o riso que se mata. Você está interessado em matar alguém ou alguma coisa?
Mas que belíssimo o título dessa mesa, hein? Poesia: humor: liberdade: linguagem. Não precisa dizer mais nada. Poesia: humor: liberdade: linguagem. Olha como na verdade é um ciclo. O sentido nunca se fecha. Poesia: Humor: Liberdade: Linguagem: Poesia: Humor: Liberdade: Linguagem: Poesia: Humor: Liberdade: Linguagem: Poesia:...
3. Por que Carnavália?
A ideia do livro surgiu no último ano da faculdade. Me formei em Publicidade e na hora de escrever a monografia de conclusão percebi que eu só tinha opiniões desfavoráveis em relação ao universo da propaganda. Enquanto todos são instruídos a serem bons publicitários, criar comerciais e planos de marketing, exatamente o oposto estava acontecendo na minha cabeça. Esse livro é uma anti-monografia. É o exercício de elaborar reflexões poéticas à respeito da sociedade de consumo. Você quer que eu escreva tudo em cinco linhas, mas posso levar cinco anos para explicar tudo o que aconteceu. Ou talvez cinco palavras: ESPAÇO RESERVADO PARA OS ANUNCIANTES.
4. Como seu trabalho com a palavra escrita extravasa e ganha forma em outras mídias?
Para mim o mundo começa na palavra. O texto é a minha experiência favorita, justamente pelo que ela tem de precário e primário. É impressionante. Basta uma caneta e um papel. Duas ferramentas tão simples podem produzir a arte mais profunda do mundo. Em todos os trabalhos que desenvolvo, seja vídeo, música, artes visuais, a minha faísca é o trabalho com a palavra, a frase, o parágrafo, o ritmo, a potência da criação literária.
5. Já que estamos falando sobre uma festa literária, qual é o escritor que te faz dançar?
Marcelino Freire é um excelente sanfoneiro. Manda muito bem na balada.
Serviço da FestiPoa hoje:
DIA 21/04 – sábado
Palavraria
11h – A produção literária latino-americana contemporânea
CRISTIAN DE NAPOLI e KARINA LUCENA. Mediação: RUBÉN DANIEL
14h24 – Leitura A melhor maneira de dizer tudo em 6 minutos: LEILA TEIXEIRA
14h30 – Estudos para o corpo da linguagem
ISMAEL CANEPPELE e FABRICIO CORSALETTI. Mediação: GUTO LEITE.
Casa de Teatro
17h – Poesia: humor: liberdade: linguagem
DIEGO GRANDO e GABRIEL PARDAL. Mediação: DIEGO PETRARCA
Lançamentos: Carnavália (Gabriel Pardal), Sétima do singular (Diego Grando) e Correnteza e escombros (Olavo Amaral)
20h – Leituras: FABRÍCIO CORSALETTI, CRISTIAN DE NÁPOLI e ANGÉLICA FREITAS
O melhor de Heloísa Buarque de Hollanda
Confira o que rolou de melhor no encontro de ontem com a dama da literatura marginal brasileira, Heloísa Buarque de Hollanda. Heloísa foi entrevistada pelo poeta Ramon Mello na Casa da Cultura de para uma atenta plateia com cerca de 60 pessoas, em pleno centro de Porto Algre.
Dois tsunamis
O século XXI tem dois tsnumis chegando e que estão
transformando tudo: a vozes da periferia e a tecnologia digital. Preste atenção
que a periferia já está na rede Globo, nas novelas – e a Globo está atenta a
tudo isso. É uma estética nova, um novo universo aparecendo, é importante saber
como se colocar nessa chegada. É preciso estudar isso. E é um fenômeno muito
engraçado, porque quando pensa numa estética da periferia, se pensa em raiz,
mas ela é completamente transnacional, o rap,
que é muito importante nessa cena, vem do Bronx, por exemplo. Essa nova classe
média que está surgindo é pop.
E a questão digital vem porque já era necessária, era demanda
latente da literatura também se pensarmos em Cortazár, nos concretistas, em
Borges... Todos já estavam desconfortáveis com as limitações do papel.
Politicamente e economicamente também já existia essa demanda, que agora está
se concretizando.
Acho chata essa idéia que diz que uma nova tecnologia surge
e muda tudo. Na verdade, não é uma novidade, e sim uma viabilidade. A
tecnologia vem porque já se queria muito, e sempre chega meio atrasada.
Futuro do livro
O livro sempre vai existir. Alguns autores estão fazendo
livros artesanais, resgatando o tato, a
delícia do livro. Agora, livro técnico não tem porque ser mais em papel, não
faz sentido. Informação seca não vai existir mais assim. E também livro que é
para jogar fora, como livro que se vende em aeroporto, esse mais descartável.
No entanto, é bom lembrar que tudo que você tem no kindle não é seu, suas notas, tudo isso
fica numa nuvem. Outra coisa: se autor tiver problema com editora, seu livro
vai embora. A gente tem que ter noção que está alugando um livro, não está
comprando. Já o livro em papel vai ser sempre seu, mesmo que uma ditadura se
instaure, você pode esconder, enterrar, há mil subterfúgios.
Além disso, o kindle não é uma tecnologia de ponta, ele
ainda está atrasado, porque o livro de papel evolui durante 500 anos, já o
digital ainda é muito novo. Um livro em aplicativo é um parque de diversões. É
um universo de possibilidade que se abrem, mas tenho certeza que o livro em
papel continuará muito firme.
Periferia
Logo vão parar de chamar de “periferia”, já está se usando a
nomenclatura “classe c”. E, como o movimento gay, a classe c está se legitimando
pelo consumo. Na periferia a palavra é vista como um poder, se você for a um
sarau grande, destes que reúnem centenas de pessoas, você vai ver vários grandes
poetas canônicos recitados com poetas não canônicos.
Há até uma ong chamada “ler é poder”, e isso não é
demagogia. Você vai até a escola para conseguir lutar pelas tuas demandas, e é
desse acesso ao poder que estamos falando na periferia. No meu tempo, poesia
era uma fruição, na periferia, é meio para compreender a palavra, que gera um
emprego, que gera poder.
Nesse sentido, a poesia tem chamado muito mais atenção. Muito
mais do que a ficção. Talvez porque a troca e leitura sejam maiores ao vivo,
eles parecem ir até a poesia para salvar a vida, é uma busca por salvação. É
muito novo, assustador e lindo.
Até a academia está interpretando isso muito melhor o
movimento da poesia na periferia do que interpretou os poetas marginais. Tem
muita tese sobre a periferia. Começou como fenômeno social, antropológica. Agora
todo mundo está estudando nas Letras. Está sendo mais rápido do que foi com a poesia
marginal, até porque a periferia tem um poder mobilização muito grande, com um
poder econômico e político. Os acadêmicos dizem que é mal escrito, mas estão
prestando a atenção.
Universidade das
quebradas.
Eu não fui até a periferia para ensinar, para salvar. Em
1980 tem o intelectual mediador. Ele identificava demandas de alguém incapaz de
levar e levava para o governo, para as empresas. É uma década inteira de
“império das ongs”. Já nos 90, precisava ser outra coisa. O que o novo
intelectual tem que fazer? Parceria. Troca. Você dá alguma coisa, e recebe algo
do outro. Li muito Boaventura de Souza santos. Ele analisou o Fórum Social Mundial
como uma nova ecologia do saberes, saberes diferentes tentando arranjar
soluções. Em resumo: ouvir outras opiniões como um saber, e não como uma falta
de saber.
Então eu fiz esse projeto da Universidade das Quebradas. Nós
pegamos as melhores pessoas, não estamos ali pra salvar ninguém. Selecionamos
os intelectuais das periferias, gente que está no meio da carreira, esses são
os elegíveis. Seleciona 70 por ano. A demanda aumenta sempre. A gente dá de tudo,
história da arte, filosofia, de tudo... A gente dá aula e recebe aula.
Eu estudei rap sem parar na universidade, mas eu descobri
ali que eu não sabia nada. É um universo que eu acho que conheço, mas não
conheço. É sempre um espanto. Eu achei importante fazer dentro da universidade,
como uma extensão, porque é uma obrigação da universidade. A gente ensina, mas
eles ensinam muita coisa em troca. Bolamos o conceito de indivíduo não
governamental. Não é caridade nem assistencialismo. É uma relação dura, porque
acho que tem que ser assim. Vamos ver o que vem por aí, todo ano a gente muda
tudo, é um grande laboratório.
20/04/2012
O debate sobre produção literária contemporânea no Brasil
Ontem, no centro de Porto Alegre, em torno de 60
pessoas se reuniram para acompanhar e participar de debate sobre a produção literária
brasileira. A mesa aconteceu dentro da programação da 5ª FestiPoa Literária, e levou
a platéia e os debatedores a andarem por temas como a consolidação das editoras em
grandes curadoras da leitura e os riscos de crítica e academia apostarem no que
há novo em literatura.
O escritor e poeta Paulo Scott foi o mediador do debate,
provocando e libertando os debatedores a darem o melhor de si para a público. A
crítica Beatriz Resende e o editor Ítalo Moriconi trataram dos temas com inteligência
e paixão. No fim das contas, ambos pareciam estar em casa: Ítalo revelou que o
primeiro autor que lhe conquistou foi Érico Veríssimo, enquanto Beatriz
demonstrava muita intimidade com a literatura produzida atualmente no estado – “a
verdadeira nova ficção em papel está sendo feita aqui”, disse ela.
Os riscos de apostar no novo
Beatriz Resende explicou que sua coragem em apostar
em novos talentos vem da liberdade com que trata a crítica literária,
desvencilhada do seu ofício acadêmico. “Sempre estive ligada à teoria na
universidade, e não propriamente à literatura, então me sentia mais livre para
escrever na imprensa”, explicou ela.
Ítalo Moriconi apontou motivos para as universidades terem
dificuldade de apostar no novo: “assumir curadoria é assumir risco, não há como
escapar disso, e a academia tem o problema de querer estar segura, dar as mesmas
aulas, reproduzir o mesmo conhecimento – não está preparada para enfrentar um
movimento cultural”. O editor ainda completou com seu exemplo pessoal: “quando lancei uma
antologia de poemas, enfrentei no mercado a fogueira das vaidades, com respeito a
poetas que ficaram de fora; já na universidade, o que causou polêmica foi o próprio
fato de topar fazer antologia para uma grande editora”.
As grandes editoras como curadoras
“Se você comparar o grau de percepção, parece que há mais gente
nas editoras a entender e amar a literatura do que na academia”, Ítalo Moriconi
observou e foi apoiado pelos outros integrantes na mesa. Por outro lado, ele não
deixa de apontar os riscos que o mercado editorial oferece ao se tornar o
grande curador da atualidade: “há um jogo de sempre inventar o novo, não há tempo para
releitura, para a decantação crítica, para a reedição. A geração dos 1970 parece ter sido abandonada nesse
processo”.
Paulo Scott também chamou a atenção para o fato do mercado editorial e
a força do marketing das grandes editoras pautarem os críticos e jornalistas,
havendo pouco espaço dentro das redações para o trabalho mais extenuante de
buscar fora dos releases o que vale a
pena ser lido pelo público.
Cinco perguntas para Maria Rezende
Maria Rezende é poeta e dizedora. Aprendeu a dizer poemas aos 18 anos na
Escola Lucinda de Poesia Viva, com a poeta e atriz Elisa Lucinda. Com
outros alunos formou o grupo Te Pego Pelo Verso, que durante dois anos
apresentou recitais da obra de poetas como Manoel Bandeira, Adélia
Prado, Fernando Pessoa, entre outros. Aos 20 anos se tornou assistente
de Elisa em oficinas de poesia falada pelo Brasil, e depois foi
professora da Escola Lucinda durante dois anos. Como dizedora, recebeu
elogios de nomes como Manoel de Barros, Martha Medeiros e José Saramago.
Tem dois livros publicados, Substantivo Feminino e Bendita Palavra ,
ambos acompanhados de CDs com os poemas falados.
Maria estará ministrando oficina a partir de hoje na 5ª FestiPoa Literária. Conheça melhor a poeta na entrevista abaixo:
1. O que Porto Alegre representa para você?
Porto Alegre é um encontro. A cidade se abriu pra mim desde a primeira vez que estive aí, em 2009, lançando meu livro Bendita Palavra na 2ª FestiPoa Literária. Eu não conhecia ninguém, nem mesmo o Fernando Ramos [organizador da FestiPoa], que descobriu minha poesia no blog do Marcelino Freire, e em quatro dias fiz amigos, ganhei leitores, vendi livros e discos de poesia, fui acolhida e me senti imediatamente em casa. A relação que os gaúchos tem com a literatura é rara e totalmente diferente do que se vê Brasil afora. É um luxo participar da vida cultural da cidade e ser lida por aí.
2. Como nasce em ti o amor pela palavra escrita?
Eu cresci lendo. Livrinhos pra criança, depois romances juvenis, e aos 14 anos a poesia entrou na minha vida pra nunca mais sair. Ler sempre foi garantia de prazer, possibilidade de ampliar o mundo, passe de mágica pra inventar lugares e pessoas que eu nunca conheceria de outro jeito. A poesia ampliou essa paixão trazendo a descoberta da palavra como encantamento, mais do que apenas forma de comunicação. Não era só contar uma história, era botar sentimentos no papel, com precisão, com delicadeza. Esse encanto nunca me abandonou e é a raiz da minha escrita. A poeta que eu sou é, antes de tudo, uma leitora voraz.
3. Poesia para quê?
Pra ilustrar iluminações. Pra chorar sem lágrimas. Pra dar conselho sem parecer pedante. Pra pedir ajuda sem usar o telefone. Pra ler antes de dormir, pra escrever antes de dormir, pra dormir melhor, pras noites de insônia. Pra ler e se sentir intimamente representado. Pra escrever e fazer alguém também se sentir assim - auge da maravilha pra poeta que eu sou: identificação. Poesia porque eu tô viva, porque o mundo não é só isso que acontece aqui em cima.
4. Explique para nossos leitores um pouco do que vai rolar na oficina Bem dita palavra.
Antes de ser poeta eu sou dizedora de poesia. Dizedora é quem conversa o poema, quem diz um verso como quem bate papo, com sentimento mas sem impostação. Aos 20 anos eu aprendi a dizer poemas com a Elisa Lucinda, em uma oficina como essa que agora eu vou dar: cada aluno escolhe um poema, e vamos juntos descobrir a voz de cada um, o ritmo, a emoção, lendo em voz alta, ouvindo outros lerem, buscando o percurso mais íntimo pra no final dizermos nosso poema pra platéia. Decorar um poema é tê-lo no coração, e é esse o caminho que vamos fazer juntos.
5. Ler e dançar: como essas coisas se harmonizam numa festa literária?
Ler é prazer, e descoberta, e liberdade. Parece que se faz só com a mente mas o corpo todo viaja junto, é uma dança silenciosa e muito interna, mas é dança. Dançar pra fora, com música, com gente em volta, é dar férias pra mente, botar a razão pra dormir e ser só movimento. Estar numa festa literária que estimula essa mistura é tudo que eu desejo - afinal nem é segredo nenhum que meu sonho de criança era ser Chacrete...
Maria estará ministrando oficina a partir de hoje na 5ª FestiPoa Literária. Conheça melhor a poeta na entrevista abaixo:
1. O que Porto Alegre representa para você?
Porto Alegre é um encontro. A cidade se abriu pra mim desde a primeira vez que estive aí, em 2009, lançando meu livro Bendita Palavra na 2ª FestiPoa Literária. Eu não conhecia ninguém, nem mesmo o Fernando Ramos [organizador da FestiPoa], que descobriu minha poesia no blog do Marcelino Freire, e em quatro dias fiz amigos, ganhei leitores, vendi livros e discos de poesia, fui acolhida e me senti imediatamente em casa. A relação que os gaúchos tem com a literatura é rara e totalmente diferente do que se vê Brasil afora. É um luxo participar da vida cultural da cidade e ser lida por aí.
2. Como nasce em ti o amor pela palavra escrita?
Eu cresci lendo. Livrinhos pra criança, depois romances juvenis, e aos 14 anos a poesia entrou na minha vida pra nunca mais sair. Ler sempre foi garantia de prazer, possibilidade de ampliar o mundo, passe de mágica pra inventar lugares e pessoas que eu nunca conheceria de outro jeito. A poesia ampliou essa paixão trazendo a descoberta da palavra como encantamento, mais do que apenas forma de comunicação. Não era só contar uma história, era botar sentimentos no papel, com precisão, com delicadeza. Esse encanto nunca me abandonou e é a raiz da minha escrita. A poeta que eu sou é, antes de tudo, uma leitora voraz.
3. Poesia para quê?
Pra ilustrar iluminações. Pra chorar sem lágrimas. Pra dar conselho sem parecer pedante. Pra pedir ajuda sem usar o telefone. Pra ler antes de dormir, pra escrever antes de dormir, pra dormir melhor, pras noites de insônia. Pra ler e se sentir intimamente representado. Pra escrever e fazer alguém também se sentir assim - auge da maravilha pra poeta que eu sou: identificação. Poesia porque eu tô viva, porque o mundo não é só isso que acontece aqui em cima.
4. Explique para nossos leitores um pouco do que vai rolar na oficina Bem dita palavra.
Antes de ser poeta eu sou dizedora de poesia. Dizedora é quem conversa o poema, quem diz um verso como quem bate papo, com sentimento mas sem impostação. Aos 20 anos eu aprendi a dizer poemas com a Elisa Lucinda, em uma oficina como essa que agora eu vou dar: cada aluno escolhe um poema, e vamos juntos descobrir a voz de cada um, o ritmo, a emoção, lendo em voz alta, ouvindo outros lerem, buscando o percurso mais íntimo pra no final dizermos nosso poema pra platéia. Decorar um poema é tê-lo no coração, e é esse o caminho que vamos fazer juntos.
5. Ler e dançar: como essas coisas se harmonizam numa festa literária?
Ler é prazer, e descoberta, e liberdade. Parece que se faz só com a mente mas o corpo todo viaja junto, é uma dança silenciosa e muito interna, mas é dança. Dançar pra fora, com música, com gente em volta, é dar férias pra mente, botar a razão pra dormir e ser só movimento. Estar numa festa literária que estimula essa mistura é tudo que eu desejo - afinal nem é segredo nenhum que meu sonho de criança era ser Chacrete...
19/04/2012
Joca Reiners Terron encontra César Aira na FestiPoa
Hoje, logo após a mesa sobre produção literária brasileira contemporânea, um dos mais prolíficos escritores do mundo, o argentino César Aira, encontrará Joca Reiners Terron para um bate-papo com o público da FestiPoa Literária. Além dos livros de ficção e traduções, Aira ainda escreve artigos acadêmicos e crítica literária.
Joca Reiners Terron, natural de Cuiabá (MT), vive em São Paulo e tem quase uma dezena de livros lançados, alguns deles premiados. O autor busca não se prender a estilos ou rótulos para criar, e seu livro mais recente (publicado em 2011) foi palco de um jogo experimental com a linguagem do texto e dos quadrinhos. Confira abaixo um trecho e a arte de “Guia de Ruas Sem Saída” (ed. Edith):
"A enfermeira tem uma expressão meio besta ao levar a bandeja de volta para a cozinha com a refeição intocada. Não compreende por que ela não come. Ela não diz nenhuma palavra — e de que adiantaria? —, apenas sorri timidamente. Sorri ou chora? As moscas, por sorte, acompanham a bandeja. Será que vêm com a comida? Ou a comida é que chega trazida pelas moscas? Quando desperto a bandeja já está aí, as moscas também. Devo ter uma bússola na bagagem. Onde vim parar? Não consigo lembrar se essas refeições estão incluídas no valor do transplante. É aquela coisa: essas moscas aí são as mesmas de ontem. Ou então são novas moscas, nascidas dos ovos das anteriores durante a noite. Elas permanecerão sempre aqui, até quando já tivermos partido. Nada muda, incluindo esse zumbido incessante. Esse é o som de nosso corpo sendo mastigado."
O encontro se derá hoje (quinta-feira), a partir das 20h, na Casa de Cultura Mario Quintana. Confira abaixo o serviço completo de dia:
Joca Reiners Terron, natural de Cuiabá (MT), vive em São Paulo e tem quase uma dezena de livros lançados, alguns deles premiados. O autor busca não se prender a estilos ou rótulos para criar, e seu livro mais recente (publicado em 2011) foi palco de um jogo experimental com a linguagem do texto e dos quadrinhos. Confira abaixo um trecho e a arte de “Guia de Ruas Sem Saída” (ed. Edith):
"A enfermeira tem uma expressão meio besta ao levar a bandeja de volta para a cozinha com a refeição intocada. Não compreende por que ela não come. Ela não diz nenhuma palavra — e de que adiantaria? —, apenas sorri timidamente. Sorri ou chora? As moscas, por sorte, acompanham a bandeja. Será que vêm com a comida? Ou a comida é que chega trazida pelas moscas? Quando desperto a bandeja já está aí, as moscas também. Devo ter uma bússola na bagagem. Onde vim parar? Não consigo lembrar se essas refeições estão incluídas no valor do transplante. É aquela coisa: essas moscas aí são as mesmas de ontem. Ou então são novas moscas, nascidas dos ovos das anteriores durante a noite. Elas permanecerão sempre aqui, até quando já tivermos partido. Nada muda, incluindo esse zumbido incessante. Esse é o som de nosso corpo sendo mastigado."
O encontro se derá hoje (quinta-feira), a partir das 20h, na Casa de Cultura Mario Quintana. Confira abaixo o serviço completo de dia:
DIA 19/04 – 5ª feira
Casa de Cultura Mario Quintana/Auditório Luis Cosme (4º andar)
18h30 – A produção literária brasileira contemporânea
BEATRIZ RESENDE e ITALO MORICONI. Mediação: PAULO SCOTT
20h – JOCA REINERS TERRON entrevista CÉSAR AIRA
Lançamento: Guia de ruas sem saída (Joca Terron)
Lançamento: Guia de ruas sem saída (Joca Terron)
18/04/2012
A produção literária brasileira em debate
Uma festa literária é uma grande oportunidade de encontrar jovens e veteranos autores, conhecê-los e ampliar nossas possibilidades de leitura. É claro que uma das tônicas da FestiPoa é justamente fazer com que a jovem produção literária brasileira encontre e dialogue com seus leitores; no entanto, como muito nunca é demas, essa edição terá uma mesa para tratar exclusivamente desse tema.
O debate "A produção literária brasileira" acontecerá nesta quinta-feira, às 18h30m, no auditório Luis Cosme (Casa de Cultura Mari Quintana). Os convidados são a crítica Beatriz Resende e o editor Ítalo Moriconi. A mediação será do escritor Paulo Scott.
O debate "A produção literária brasileira" acontecerá nesta quinta-feira, às 18h30m, no auditório Luis Cosme (Casa de Cultura Mari Quintana). Os convidados são a crítica Beatriz Resende e o editor Ítalo Moriconi. A mediação será do escritor Paulo Scott.
Convidados:
Beatriz Resende – crítica literária e professora (Letras – UFRJ), Beatriz Rezende é autora de Expressões da literatura brasileira no século XX (ed. Casa da Palavra, 2006), entre outros livros. Beatriz escreve regularmente para publicações de todo o país sobre temas como a literatura contemporânea e novos suportes para o texto literário. Com olhar atento e a marca dos Estudos Culturais, ela observa em seus textos a relação da literatura com a cidade e a fronteira entre gêneros e artes.
Ítalo Moriconi – muito conhecido do público leitor pelo
sucesso de suas coletâneas Os Cem Melhores Contos
Brasileiros do Século (ed. Objetiva, 2000) e Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século
(ed. Objetiva, 2001), Moriconi ultimamente tem publicado ensaios sobre teoria
estética e poesia brasileira em revistas acadêmicas do Brasil e de outros países.
Ele também é poeta e editor, além de exercer a atividade de professor de Literatura
Comparada na UERJ.
Paulo Scott (mediador) – autor de romances, livros de contos, poesia e
teatro, Paulo Scott é um dos destaques da literatura brasileira contemporânea. Seu Ainda
Orangotangos (ed.. Bertrand Brasil) foi adaptado para o cinema pelo
cineasta Gustavo Spolidoro. Sua obra mais recente, Habitante Irreal, foi
editada recentemente pela Alfagura.
Serviço:
DIA 19/04
– 5ª feira
Casa de
Cultura Mario Quintana/Auditório Luis Cosme (4º andar)
18h30 – A
produção literária brasileira contemporânea
BEATRIZ
RESENDE e ITALO MORICONI. Mediação: PAULO SCOTT
Confira a programação completa da FestiPoa Literária clicando aqui.
Confira a programação completa da FestiPoa Literária clicando aqui.
17/04/2012
Noite com Ivo Bender e convidados para abrir a festa
A FestiPoa Literária começa amanhã! A expectativa é crescente para a grande noite de abertura: nosso homenageado, o escritor e dramaturgo Ivo Bender, conversará com diferentes expoentes do teatro e da literatura brasileira frente à plateia do FestiPoa em pleno bar Ocidente. A entrevista ainda será seguida por uma leitrua dramática da obra do autor (confira no final deste post o serviço).
Logo abaixo você pode conferir o perfil dos convidados para a conversa com Ivo Bender. Além deles, a sua presença é fundamental para tornar grande essa festa!
Logo abaixo você pode conferir o perfil dos convidados para a conversa com Ivo Bender. Além deles, a sua presença é fundamental para tornar grande essa festa!
Diones Camargo – escritor e dramaturgo, autor das peças Hotel Fuck, Nove Mentiras
Sobre a Verdade, Andy / Edie (Prêmio Funarte de Dramaturgia 2005) e Parque de
Diversões. Diones também é colunista do site LaikaClub.com e
escreve regularmente no blog normal people BORE ME, ministra a oficina Dramaturgia
Líquida – Assimilação de Influências no Texto Teatral, e participa
constantemente de debates, palestras e mesas-redondas a respeito de
dramaturgia.
Tatata Pimentel - conhecido por sua participação como repórter e apresentador em programas televisivos, Roberto Valfredo Bicca Pimentel tem formação em Jornalismo, Letras e Direito, exercendo durante muitos anos a atividade de professor de literatura.
Regina Zilberman - escritora e professora (PUC-RS), Regina Zilberman tem mais de vinte livros publicados e premiados nas áreas pedagógica e educacional. Dentre seus títulos mais conhecidos estão As Pedras e o Arco: Fontes Primárias, Teoria e História da
Literatura; Estética da Recepção; Como e por que Ler a Literatura
Infantil Brasileira; Fim do Livro, fim
dos leitores?; Leitura em crise na escola: as alternativas do professor. A autora participa regularmente de encontros dedicados à literatura e formação de leitores. Além de livros, Regina tem inúmeros textos sobre leitura circulando nos meios jornalístico e acadêmico.
Serviço:
Serviço:
Quarta-feira (18 de abril de 2012)
Bar Ocidente (Osvaldo Aranha, 960 - Bom Fim)
18h30 - DIONES CAMARGO, TATATA PIMENTEL e REGINA ZILBERMAN conversam com IVO BENDER (escritor homenageado da FestiPoa)
20h30 – Leitura dramática em homenagem a
Ivo Bender. Elenco: Martina Faccioni Fensterseifer, Clarice Muller, Ana
Paula Goettens, Natália Koehler Karam, Gabriela Poester, Rose Canal e
Camila Ali.
Confira a programação completa da FestiPoa Literária clicando aqui.
16/04/2012
5 perguntas para Diego Grando
O poeta Diego Grando está para lançar o seu segundo livro, Sétima do Singular (Não Editora), amanhã mesmo, na Casa de Ideias (Shopping Total, Porto Alegre), as 19h30m. Além disso, ele vai estar no próximo sábado (21/04) compondo a mesa Poesia: humor: liberdade: linguagem com Gabriel Pardal - às 17h na Casa de Teatro, com mediação de Dieto Petrarca e posterior repeteco do lançamento. O momento é de movimentação, mas assim mesmo, Diego não pulou fora quando o convidamos para participar do "Cinco perguntas para...". Confira abaixo a conversa:
1. Como foi voltar para Porto Alegre depois dos anos na
França? Alguma coisa te surpreendeu?
É uma sensação dividida, de contentamento por voltar pra
perto dos amigos, de um profundo vazio por deixar uma cidade fantástica como Paris,
no momento em que, eu arriscaria dizer, eu já me sentia em casa. Talvez eu
tenha ficado surpreso com o fato de tudo continuar igual, enfim, ingenuidade
minha: vivi minha vida toda aqui, e de repente o cara sai por dois anos e se
acha no direito de esperar que tudo esteja diferente, irreconhecível. Mas tá
tudo ali, desde sempre, no dna, e a gente não deixa de reconhecer as esquinas
porque uma construtura transformou uma porção de casas em cubos envidraçados. Uma
fotografia na parede, que seja, sempre dói.
2. Estamos longe demais das capitais?
Não sei. Do ponto de vista geográfico, prático, pode ser que
sim, é o que dizem. Do ponto de vista da nossa construção identitária, do nosso
discurso, sem dúvida, no sentido de não sermos muito bem brasileiros, nem
plenamente gaúchos (não, ao menos, campeiros). Adoramos detestar nossas
ambiguidades.
3. Você vai participar da mesa “Poesia: humor: liberdade:
linguagem”. Vamos adiantar uma pergunta: um velho mestre dizia que não é com a
ira, mas com o riso que se mata. Você está interessado em matar alguém ou
alguma coisa?
Não acho que eu seja risonho o suficiente para ser
considerado um assassino em potencial.
4. O que podemos esperar de “Sétima do Singular”?
Um livro mais maduro, no contexto da minha trajetória, mais
seguro quanto às coisas a (não) dizer e ao jeito de dizê-las. Um livro de
poemas pensado como livro (para o bem e para o mal), e não como um agrupamento
de poemas que acabam por constituir um livro. Também é um livro mais amplo,
construído a partir de um jogo de máscaras mais complexo em relação ao que eu
havia feito até então.
5. Poesia para quê?
O Drummond tem um verso que eu acho belíssimo, em "A
flor e a náusea": "Ração diária de erro, distribuída em casa".
Confira o trabalho de Diego Grando clicando aqui!
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